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A luz do dia encanta a cidade, como se tudo tivesse sentido.
Ao sol desta manhã encho-me de silenciosas orações.
onde está a curiosidade, ninguém pensa nas minhas desilusões.
Que alma pobre ousa ainda profetizar
no meio desta multidão que não escuta?
Pasme-se, esta tamanha solidão — ela instala-se e ali permanece.
Há anos que preciso de ouvir-me, de cuidar…
se nada acontesse.
Nasci carente, errado, impreciso, desalinhado do mundo.
Cresci indiferente, e lá fora ninguém pensa, ninguém vê, ninguém sente.
É como se a vida recusasse o próprio sorriso,
como se sorrir fosse imundo
Mas quem assume a presença de quem sente-se ausente?
Mas afinal, quem sou? Ninguém sabe. Ninguém responde.
Vida insignificante, repetida, uma tortura
diária ou matinal.
Sinto enquanto algo desaba dentro do invisível.
E ainda assim, presto-me, ofereço-me, onde tudo ss esconde.
é um propósito que restou, um grito de sofrimento final.
A questão não é porquê. A questão é como continuar.
Vivo perdido de mim, desencontrado da minha própria essência,
sem rumo, sem orientação, ora que frustração só de pensar.
“Que negativo”, pensam, mas ninguém sente essa sensação.
Mas é assim que a verdade se apresenta quando não é disfarçada.
Não é intolerância, é escassez de consideração.
Eu só oro, num tempo tão esgotado, que haja salvação.
E a pergunta permanece. Não morre. Não cede. Não esquece, nessa redenção.
Vivo em silêncio, queria desaparecer, sem darem a razão.
Que é isso de existirmos? Um motivo para a minha persistência.
E no meio de tudo, da queda, do vazio, da ausência de resposta
a minha essência não desiste, sigo com a verdade exposta.
A verdade que nada tem sentido, nada... é este um último suspiro silencioso.