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Xavier Baptista
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Textos

A luz do dia encanta a cidade, como se tudo tivesse sentido.

Ao sol desta manhã encho-me de silenciosas orações.

onde está a curiosidade, ninguém pensa nas minhas desilusões.

 

Que alma pobre ousa ainda profetizar

no meio desta multidão que não escuta?

Pasme-se, esta tamanha solidão — ela instala-se e ali permanece.

Há anos que preciso de ouvir-me, de cuidar…

se nada acontesse.

 

Nasci carente, errado, impreciso, desalinhado do mundo.

Cresci indiferente, e lá fora ninguém pensa, ninguém vê, ninguém sente.

É como se a vida recusasse o próprio sorriso,

como se sorrir fosse imundo

Mas quem assume a presença de quem sente-se ausente?

 

Mas afinal, quem sou? Ninguém sabe. Ninguém responde.

Vida insignificante, repetida, uma tortura

diária ou matinal.

Sinto enquanto algo desaba dentro do invisível.

E ainda assim, presto-me, ofereço-me, onde tudo ss esconde.

é um propósito que restou, um grito de sofrimento final.

 

A questão não é porquê. A questão é como continuar.

Vivo perdido de mim, desencontrado da minha própria essência,

sem rumo, sem orientação, ora que frustração só de pensar.

 

“Que negativo”, pensam, mas ninguém sente essa sensação.

Mas é assim que a verdade se apresenta quando não é disfarçada.

Não é intolerância, é escassez de consideração.

Eu só oro, num tempo tão esgotado, que haja salvação.

 

E a pergunta permanece. Não morre. Não cede. Não esquece, nessa redenção.

Vivo em silêncio, queria desaparecer, sem darem a razão. 

Que é isso de existirmos? Um motivo para a minha persistência.

 

E no meio de tudo, da queda, do vazio, da ausência de resposta

a minha essência não desiste, sigo com a verdade exposta.

A verdade que nada tem sentido, nada... é este um último suspiro silencioso. 

El Matrix
Enviado por El Matrix em 20/02/2026
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