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Abandonado
Estou há muito exilado,
confortado pelo silêncio prolongado,
estou triste, mas acomodado,
e cada vez do mundo mais afastado.
Sou a personificação do distante,
a figura que se contenta
com a pouca luz brilhante
que na cidade ainda se concentra.
O tempo passa e quero fugir,
não sei onde correr para me esconder,
grito para me acudirem antes de partir,
pois já nada me consegue deter.
Não conheço lugar para sorrir,
o tempo passa, o sol vem, a noite entra,
antes que a madrugada se desfaça,
quero ter esperanças de sentir.
Espero que o dia traga a alvorada
antes que me deite e a lua fique fria,
antes que o sol me guie na caminhada,
antes que termine mais um dia.