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Divaguei também nos teus versos,
como quem procura no infinito
a razão de dois universos
se encontrarem no mesmo escrito.
E se os teus olhos reconhecem
um caminho que não sabem explicar,
talvez sejam as almas que aquecem
aquilo que tanto queremos recordar.
Acredito que fomos páginas de outra vida,
e já cruzámos ruas que ainda não percorremos.
Talvez seja uma vontade desmedida,
de tudo aquilo que ainda não vivemos.
Mas sei que há algo único no teu nome
que transforma o tempo em melodia.
uma chama que as horas não consomem,
uma presença que me visita à distância.
E não preciso que as estrelas contem
o que o futuro decidirá escrever;
prefiro que as nossas mãos somem
gestos pequenos para o amor crescer.
Porque não quero apenas o destino,
nem a promessa de um céu predestinado;
quero caminhar devagar contigo,
e descobrir o que ainda não foi revelado.
E talvez não exista mundo passado,
nem outra história à nossa espera;
talvez seja este instante inesperado
o primeiro capítulo de uma primavera.
Sei que contamos as horas:
para quando os nossos versos chegarem;
estarmos abraçados do jeito que adoras.
E durante a noite os sonhos permanecerem.
Pois há sentimentos que eu abrigo,
que não cabem numa única resposta;
e, quando escrevo, levo-te comigo.
ao som de uma música reposta.
Se os meus lábios de caneta te despertam:
que sejam em desejos que possas guardar,
e que estas palavras, quando te encontrarem,
sejam um abraço que te possa alcançar.
Queria ter o poder de decifrar o universo,
e de conhecer aquilo que o céu esconde;
mas posso oferecer-te cada verso
e deixar-te encontrar-me onde a verdade responde.
E se um dia as nossas mãos se tocarem,
sem distância, sem demora, sem quimera,
que seja para os nossos olhos se recordarem
daquilo que a alma á tanto tempo espera.